30.5.07

Do inesperado desafogar

Momento em que, no meio da rua, uma das três garotas me oferece um simpático gracejo elogioso, redescubro a deliciosa sensação de romper o tédio e passividade costumeira.
(E não sendo pela injeção no ego e nem pela possível ironia.)
É como aquele sujeito, pelos lados de Santo Amaro, que sem camiseta e um saco de pão nas mãos vinha cantando Paulinho da Viola, em alta e despreocupada voz; ou aqueles comentários, perdões e com-licenças absolutamente usuais que às vezes a gente flagra e ri com seu querido desconhecido da bobeira das normas; ou ainda das danças que eu fazia, com caras e bocas e assustava as pobres e esquecidas senhoras de partes pretensiosas da cidade.
A garota do outro lado da rua: nos cumprimentamos sem os receios do desconhecido e nos encontramos num diálogo de olhares e gestos e sem nos importar com a perplexidade dos que a acompanhavam.
E há ainda o profeta! Aquele que perdeu os dentes numa briga com a polícia (me contou certa vez na reitoria), sabe das coisas do mundo e participa (sempre que pode) de revoluções.

9 Comentários:

Anonymous pioux disse...

que lindo =D
adoro esses momentos u.u

24/6/07 23:24  
Blogger Rhayssa Lima disse...

Esses dias estava assistindo e escutando Cordel do Fogo Encantado. É uma banda de um interior chamado Arcoverde, lá de Pernambuco.
São cantores que valorizam muito a cultura...
No show... um dos integrantes, o Lirinha, recita João Cabral de Melo Neto.
E o texto eu peguei aqui...
Obrigada pelo empréstimo não pedido.
Você postou há uns dois anos:
"...O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."

Gostei do seu blog, viu?!
abraços!

10/7/08 20:13  
Blogger Rhayssa Lima disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

10/7/08 20:14  
Blogger Rhayssa Lima disse...

Que legal q vc conhece Cordel!!!
E é uma pena seu blog está abandonado!
Eu gostei dele, viu?!
bastante!
Quando eu estiver em casa vou fazer questão d conhecer seus outros blogs!
E é legal saber q outras bandas tbm valorizam não só João Cabral... mas a cultura em modo geral!
Sou d Pernambuco... e tive prazer d ver vários shows da banda!
principalmente no carnaval!
hmmm
tow sem o q falar!
pq nesse exato momento eu estou numa briga com meu amigo por causa do texto!
hehe
:DDD

11/7/08 20:46  
Blogger Rhayssa Lima disse...

sim...
esqueci de mandar beijossss

ate

11/7/08 20:47  
Blogger Charles B. disse...

Pensando bem, tem um certo sentido o Pato terminar com um desafogar...
Ok, eu só demorei dois anos para perceber isso...

11/12/09 14:11  
Blogger Bruno K disse...

faz sentido realmente, o comentário do charles.

27/1/10 06:35  
Blogger Artur disse...

Entrei aqui hoje porque na festa da Marina ontem um (ex-)desconhecido falou que estava lendo alguns textos do pato, o que me provocou reação visceral extremamente desagradável. Agora, me impressionei tanto com alguém ter comentado esse blog em 2010 (já tinha me impressionado com o comentário de 2009!) que resolvi que devia/podia/ia comentar também...

Por muito tempo (talvez desde meu último post, em 2007) tive um pouco de medo desse blog, ou talvez vergonha. De saber que estava no cyberespaço para todo mundo ler certos desabafos hormonais de minha adolescência depressiva. Para qualquer um ler; não é pequeno o perigo representado pela internet para nossa segurança e privacidade. Será que algum dia alguém que queira me dar emprego ou carinho irá pesquisar meu nome no google (ou na ferramenta usada nesse hipotético futuro) e encontrará meus textos, os mais idiotas e os mais exatos? Serei prejudicado por isso?

Faz sentido o pato terminar com um desafogar. Ele permanece testemunho de um afogamento muito específico, de três indivíduos em uma certa época de suas vidas, mas quem sabe não pode ser documento de um afogamento geral. Nossa experiência não foi também a de uma parcela considerável da nossa geração? Ou talvez de todo adolescente? Ou talvez do ser humano? Não é preciso ter vergonha do passado, da própria memória. Já que não dá pra mudá-lo...

O Goethe maduro teve uma certa vergonha de seu Werther. É compreensível. Não tira o valor da obra. (Não estou falando que atingimos as alturas literárias de Goethe, mas acho que há muitas semelhanças sim entre os projetos)

Vivemos sufocados por muito tempo. Daquele ponto-de-vista subterrâneo, não podíamos prever, esperar o desafogamento. Mas ele era tudo menos inesperado, sua iminência transparece em todos nossos últimos textos e comentários deixados por aqui. Poderíamos, três anos depois, relatar o que nos aconteceu, em que deu tanta preocupação, tanta dúvida, tanta expectativa, tanto medo. Mas é bom que não contaminemos a pureza (?) de nosso registro histórico com conseqüências e epílogos.

Acabando aqui, sinto uma pitada do sentimento de lá: será que alguém lerá este comentário?

Essa é a vida...

3/7/10 19:44  
Anonymous Uiara disse...

Eu li.
E apesar de não ser mais uma adolescente, continuo a devorar os trechos com voracidade, como se, me apegando a isto, talvez eu conseguisse matar um pouco deste próprio veneno em mim... se eu consigo? É bem provável que não.
Eu sempre volto aqui... independentemente de quanto tempo demore, o Pato conseguiu mexer comigo. Pra sempre.

14/6/12 18:52  

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